A família da idosa de 73 anos, que morreu após ser esfaqueada pelo ex-marido na tarde de sábado (09), no bairro Jardim Carapina, na Serra, ainda lida com a dor da perda e com a repercussão do crime.
Em entrevista a filha da vítima disse que não sabe como será ver o próprio pai depois da morte da mãe.
"A gente não sabe o que vai fazer agora, não sei como vou olhar pra ele. Infelizmente, ou felizmente, a gente vai ter que ir lá. A gente não sabe o que fazer, o que olhar...", disse.
"Ela ia pra minha casa, em Jacaraípe. Minha sobrinha ligou falando que [elas] não iam mais, que tinha acontecido um problema e que elas não iam mais. Eu falei: o que quê foi? Ela não quis me dizer", contou.
"Eu liguei pra minha irmã, ela estava em prantos chorando, que meu pai tinha feito algo com a minha mãe. Eu desliguei o telefone e fui pra lá. Nisso, meu irmão ligou que tava no UPA de Carapina. Eu parei lá, ela já estava lá. Os policiais falaram que ela tinha sido esfaqueada, levou duas facadas", relatou.
De acordo com a filha da vítima, assim que encontrou a mãe, ela percebeu que a idosa não estava bem. "Encaminharam pro Jayme, ficamos meia hora, mas ela não sobreviveu. Depois de meia hora, eles vieram e falaram que ela não resistiu", disse.
Idosa de 73 anos sorriu antes de ser atacada pelo ex-marido

Por volta de 19h, a equipe do plantão do Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DEHPP) recebeu uma denúncia indicando que o autor do homicídio estaria na casa do irmão, proprietário de um bar, no bairro Cidade Continental, na Serra.
Ao chegar ao local, o irmão informou que o suspeito estava em sua casa. Ao abordar o indivíduo, a equipe o comunicou sobre a prisão e o conduziu à delegacia.
Testemunhas que presenciaram o crime foram encaminhadas para prestar depoimentos sobre o ocorrido.
Também em entrevista, uma mulher disse que a idosa chegou a passar por ela e sorriu antes de ser atacada. "Ela passou, até sorriu pra gente. Ao chegar mais a frente, um senhor arrancou a faca da calça e começou a esfaquear ela. A população veio andando, gritando pra ele parar", contou.
"Em momento nenhum ele parou de esfaquear ela, foi então que outro rapaz veio e segurou ele por trás, pra segurar a faca. Quando segurou a faca, ela levantou do chão, toda esfaqueada, com um corte bem grande abaixo do pescoço, e saiu andando. A gente foi lá ajudar ela", relatou a testemunha.
Em depoimento à polícia, o homem relatou que era casado há 53 anos com a vítima e confessou tê-la esfaqueado.
Ele afirmou ter saído de casa com uma faca para confrontá-la sobre supostas traições, alegando que a vítima mantinha relacionamentos extraconjugais, o que o envergonhava. O homem disse ainda que, há 10 anos, ela se recusava a manter relações sexuais, continuando a se envolver com outros homens.
O suspeito admitiu ter ameaçado diversas vezes "acabar com a vida da esposa" se a situação persistisse, mas negou ter um relacionamento conturbado com ela. Acrescentou ainda que optou por não se divorciar, pois ela cuidava bem da casa.
Suspeito foi preso horas depois do crime na Serra
Segundo familiares da vítima, o suspeito de cometer o crime é o ex-marido dela, que foi preso pela Polícia Civil horas depois.
A Polícia Militar informou que foi acionada para ir ao Pronto Atendimento de Carapina para verificar a informação de uma mulher que havia dado entrada com ferimentos de arma branca
No local, a equipe fez contato com uma mulher, de 48 anos, que informou aos militares que foi até a unidade de saúde após receber a informação de que o pai teria tentado tirar a vida da própria esposa.
Devido ao estado de saúde da vítima, não foi possível colher mais informações. A mulher apresentava ferimentos gravíssimos no tórax e peito e chegou a ser encaminhada para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
O corpo dela foi encaminhado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, onde passará pelo processo de necropsia e, posteriormente, será liberado para os familiares.
O homem foi autuado em flagrante por feminicídio, ameaça, perseguição contra idoso e contra mulher e violência psicológica. Ele foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana (CTV).
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