O paulistano Rafael Birman, de 30 anos, estava na rave Universo Paralello, que começou na noite de sexta-feira (6) em Israel, mas foi interrompida pelos bombardeios do grupo extremistas Hamas. Ao menos 260 corpos foram encontrados no local, segundo o jornal "The Times of Israel".
Ao lado de outros quatro amigos, Birman narrou ao g1 cenas de horror que tiveram início às 6h da manhã do sábado (7), quando as bombas começaram a cair na região da festa.
Ele disse que tinha chegado na festa eletrônica criada pelo DJ Juarez Petrillo - pai dos DJs Alok e Bhaskar - por volta de 2h da manhã, que, segundo ele, acontecia em um local que fica a menos de 300 metros da fronteira com a Palestina. Mas, quando o dia amanheceu, as bombas começaram a cair e muita gente tentou sair do local.

'Por um milagre, eu não fui ferido", relata brasileiro que participava de festival que acontecia próximo à Gaza
Junto com os amigos, ele pegou o carro e fugiu por uma estrada que encontrou para o Norte, em direção à capital, Tel Aviv. Mas a saída apressada do local quase custou a vida do grupo.
“Pegamos uma estrada errada e demos de cara com o portão da fronteira. Foi quando terroristas armados começaram atirar na gente e tivemos que fugir a pé, procurando abrigo junto com soldados baleados das Forças Israelenses. Vimos centenas de corpos nas ruas e gente ensanguentada, com carros que tinham acabado de ser atingidos por bombas”, contou Birman
“Fomos salvos justamente pelos soldados israelenses que apareceram e começaram a revidar os tiros. Nunca passei tanto medo na minha vida. Um tiro de bazuca explodiu a menos de três metros da gente. Te juro, ali foi o momento que falei: ‘vamos morrer’. Mandei uma mensagem de áudio pra minha mãe dizendo que amava ela e avisando a senha do cofre. Ficamos 20 minutos deitados, no fogo cruzado”.
O carro que o grupo de Rafael estava era alugado e foi atingido por mais de 200 tiros, segundo ele.
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O paulistano Rafael Birman, de 30 anos, participava nesse sábado (7) da rave 'Universo Paralelo', quando os participantes foram surpreendidos por bombardeio do Hamas. — Foto: Reprodução
6 horas em um bunker
Eles encontraram abrigo numa cidade pequena perto da fronteira, onde uma família camponesa judia com três filhos ofereceu o bunker - abrigo antibombas - da casa para acomodá-los.
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Rafael Birman num bunker perto da Faixa de Gaza, após topar com forças israelenses na fuga do festival 'Universo Paralello'. — Foto: Reprodução
Do horário de início das explosões na festa eletrônica Universo Paralello até a volta pra casa em Tel Aviv, onde vive com a irmã e a mãe, Rafael Birman conta que se passaram mais de 12 horas.
Mesmo estando agora em segurança, ele conta que não tem coragem de sair de casa e que vai demorar longos meses até que a vida volte ao normal na capital israelense.
“Até para atender o entregador de comida eu estou com medo. Porque o que se fala aqui em Tel Aviv é que os terroristas estão infiltrados na capital e em vários apartamentos. Tem muita gente apavorada. E por isso a vida normal vai demorar semanas ou meses para voltar a acontecer”, contou.
Birman conta que a família em São Paulo sugeriu que ele, a mãe e a irmã voltassem ao Brasil nos seis voos que foram colocados à disposição dos brasileiros pelo governo daqui. Mas ele acha que “não é hora de fugir do país”.
“Já estou estabelecido aqui. Tenho um emprego que gosto e levo uma vida gostosa perto da praia. Não é hora de fugir do país. A gente precisa entender o que aconteceu com essa falha de segurança das Forças de Defesa Israelense que deixaram tantos mortos. E como a vida vai ser dar a partir daqui, pra depois pensar no que fazer do futuro”, contou.

O Universo Paralello é um festival de música eletrônica fundado por volta do ano 2.000 por Juarez Petrillo, o DJ Swarup. A festa começou em Goiás, mas logo foi transferida para a Bahia, onde geralmente acontece na virada do ano na praia de Pratigi, de Ituberá.
O evento dura vários dias, e os participantes, amantes da música eletrônica e estilos como psytrance, costumam se hospedar em barracas na praia para curtir o som.
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O festival brasileiro Universo Paralello, que acontece todos os anos na Bahia. — Foto: Reprodução
O perfil da festa nas redes sociais fala que depois da pandemia festas semelhantes em alguns países como México, Portugal e Espanha começaram a ser realizadas. A edição de Israel foi a primeira no Oriente Médio e recebeu o nome de Tribe of Nova.
“O time Universo Paralello, consternado, chocado e indignado pelo ataque às vidas inocentes, esclarece algumas informações referente ao vínculo do Festival com o evento @tribe_of_nova Universo Paralello Edition, que aconteceu na região. O ataque não foi somente na região do evento, mas orquestrado simultaneamente em todo o país com mais de 2 mil mísseis. Mais uma vez, estamos consternados, chocados e assustados com tudo que aconteceu e deixamos explicitamente a nossa revolta e nossos sentimentos às vítimas desse ataque perverso”, afirmou a nota.
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Comunicado emitido pela organização do Universo Paralello, após ataques em Israel. — Foto: Reprodução/Instagram
O conflito entre Israel e o Hamas entrou em seu segundo dia neste domingo (8). O balanço mais recente das autoridades locais indica que ao menos 1.120 pessoas morreram, sendo 700 em Israel, 413 na Faixa de Gaza e 7 na Cisjordânia. Milhares de pessoas ficaram feridas.
A disputa começou depois que o Hamas, um grupo extremista armado islâmico, realizou neste sábado (7) um ataque-surpresa contra o território israelense, a partir da Faixa Gaza, de onde lançou 5 mil foguetes.
Por terra, ar e mar, homens armados do Hamas invadiram o território israelense na região sul do país. Agências internacionais relataram que eles atiraram em pessoas que estavam nas ruas da região. Também houve relatos de dezenas de israelenses levados como reféns para de Gaza, incluindo mulheres e crianças.

Esse foi considerado um dos maiores ataques que Israel sofreu nos últimos anos (leia detalhes mais abaixo nesta reportagem). Diante da ofensiva do Hamas, o governo israelense iniciou uma retaliação.
"Estamos em guerra e vamos ganhar", disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. "O nosso inimigo pagará um preço que nunca conheceu." Ainda no sábado, Israel lançou bombas em direção à Faixa de Gaza. Segundo as forças israelenses, os alvos eram locais ligados ao Hamas, que controla a região.
Na madrugada deste domingo, novas explosões foram reportadas em Gaza, e os ataques se intensificaram ao amanhecer.
Além disso, de acordo com a agência de notícias Reuters, militares israelenses afirmaram que ataques foram feitos contra o norte de Israel a partir do Líbano. Esses novos bombardeios foram reivindicados pelo grupo armado Hezbollah, que afirmou ter disparado foguetes em "solidariedade" ao povo palestino.
Os alvos, segundo o próprio Hezbollah, seriam três posições militares israelenses em uma região conhecida como Fazendas de Shebaa, que está em um território ocupado por Israel desde 1967. Essa área é reivindicada pelo Líbano.
Ainda no sábado, o Hezbollah anunciou apoio ao ataque promovido pelo Hamas contra Israel, afirmando estar em contato direto com líderes de grupos de resistência. As Forças Armadas de Israel disseram que revidaram o ataque do Hezbollah e que um drone atingiu um posto do grupo na região da fronteira com o Líbano.
Por sua vez, o Hamas divulgou um comunicado dizendo que seus integrantes continuam engajados em "lutas ferozes" dentro de Israel.
O Gabinete de Segurança de Israel emitiu uma declaração oficial de guerra contra o Hamas neste domingo. A medida oficializa o que já havia sido anunciado por Netanyahu e permite que o governo mobilize mais reservistas e intensifique a resposta militar ao conflito.
O conflito entre Israel e Palestina se estende há décadas. Em sua forma moderna, remonta a 1947, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs a criação de dois Estados, um judeu e um árabe, na Palestina, sob mandato britânico.
Israel foi reconhecido como país no ano seguinte. Desde então, há uma disputa por território, e vários acordos já tentaram estabelecer a paz na região, mas sem sucesso.
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Prédio destruído é visto na Faixa de Gaza após retaliação de Israel, em 8 de outubro de 2023 — Foto: Mohammed Abed/AFP
O que aconteceu até agora
No sábado, lideranças do Hamas anunciaram que estavam iniciando uma grande operação de retomada de território. Um alto comandante do grupo chegou a dizer que mais de 5 mil foguetes tinham sido lançados contra Israel a partir da Faixa de Gaza.
Sirenes foram ouvidas em várias partes de Israel, incluindo grandes cidades, como Tel Aviv e Jerusalém. Os ataques atingiram prédios e veículos, causando estragos em diversas regiões do país.
Após a ofensiva, o primeiro-ministro israelense convocou uma reunião de emergência e lançou a operação "Espadas de Ferro", prometendo uma resposta ao Hamas. O governo de Israel pediu para que os cidadãos seguissem instruções de segurança. A recomendação é para que as pessoas fiquem próximas de espaços protegidos.
Israel também recebeu o apoio de autoridades dos Estados Unidos e da União Europeia. O presidente Joe Biden afirmou que os norte-americanos estão prontos para oferecer "todos os meios apropriados de apoio".
O que é o Hamas?
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Palestinos assumem o controle de tanque israelense depois de cruzar a fronteira de Israel com Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023. — Foto: Said Khatib/AFP
O Hamas é o maior dentre diversos grupos de militantes islâmicos da Palestina. O grupo é classificado como terrorista por Israel, Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, bem como outras potências globais.
O nome em árabe é um acrônimo para Movimento de Resistência Islâmica, que teve origem em 1987 após o início da primeira intifada palestina contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
Em sua fundação, o Estatuto do Hamas definiu a Palestina histórica, incluindo o atual território de Israel, como terra islâmica e exclui qualquer paz permanente com o Estado judeu. O documento também ataca os judeus como povo, fortalecendo acusações de que o grupo é antissemita.

Veja mais detalhes sobre o conflito entre Israel e Palestina
Fotos do conflito
Veja imagens abaixo:
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Homem corre após explosão provocada por foguete lançado da Faixa de Gaza, em Israel, em 7 de outubro de 2023 — Foto: REUTERS/Amir Cohen
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Pessoas observam destruição na Faixa de Gaza após bombardeios israelenses em reação a ataque do Hamas no dia 7 de outubro de 2023 — Foto: Mohammed Abed/AFP
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Fumaça é vista após ataques israelenses a Gaza no dia 7 de outubro de 2023 — Foto: Mohammed Salem/Reuters
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Homens armados palestinos que se infiltraram em áreas do sul de Israel, no lado israelense de Israel-Gaza — Foto: Reuters
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Palestinos comemoram enquanto viajam em um veículo militar israelense que foi apreendido — Foto: Reuters
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Hamas afirmou que 5 mil foguetes foram lançados da Faixa de Gaza — Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
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Soldados israelenses trabalham para proteger áreas residenciais após uma infiltração — Foto: Reuters
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Palestinos reagem quando um veículo militar israelense pega fogo após ser atingido por homens armados palestinos que se infiltraram em áreas do sul de Israel, no lado israelense de Israel — Foto: Reuters
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Prédio pega fogo após ser atingido por foguete em Tel Aviv, Israel, em 7 de outubro de 2023 — Foto: REUTERS/Itai Ron
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